domingo, novembro 18, 2018
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Liberdade de imprensa, Jair Bolsonaro e o Editorial da Gazeta do Povo. A grande mídia é o pior inimigo de si mesma.

A Gazeta do povo abre o editorial de hoje, 24/10/2018, com a imagem acima, e faz uma crítica ao pronunciamento que presidenciável Jair Messias Bolsonaro fez no fim de semana passado na manifestação na avenida paulista.

Na ocasião, Bolsonaro disse: “”Conclamamos a todos vocês que continuem mobilizados e participem ativamente por ocasião das eleições do próximo domingo, de forma democrática. Sem mentiras, sem fake news, sem Folha de S.Paulo. Nós ganharemos esta guerra. Queremos a imprensa livre, mas com responsabilidade. A Folha de S.Paulo é o maior fake news do Brasil. Vocês não terão mais verba publicitária do governo. Imprensa livre, parabéns. Imprensa vendida, meus pêsames”, afirmou.”
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A Gazeta diz compreender a indignação de Bolsonaro e de seus apoiadores, mas questiona se a ameaça de cortar verbas estatais para órgãos de imprensa que são críticos ao candidato ou o governante faz sentido.

A partir desse ponto é preciso fazer algumas críticas ao editorial. O que a Folha de São Paulo faz não são apenas críticas, embora estas existam. O que a Folha de São Paulo faz é a divulgação de notícias falsas, com o mero intuito de desinformar a população em benefício de uma ideologia que carrega em sua própria gênese tudo que vai na contra-mão da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa e da liberdade de mercado.

A Folha de São Paulo age contra si mesma e contra toda a categoria a qual pertence ao se tornar partidária de um partido político com claras pretensões totalitárias.

Cortar verba estatal de um jornal como este é um dever do Estado que não pode permitir que um ambiente de desinformação e de subversão jogue o país na instabilidade.

O erro do editorial da Gazeta do Povo é afirmar que a reação de Bolsonaro é devido às críticas que o candidato recebe. Se assim fosse ele teria atacado outros veículos de mídia, além da Folha de São Paulo, que o criticam dia sim e dia também, e esse não foi o caso. O editorial também aponta que a atitude de Bolsonaro é a mesma que o PT adota, porém com sinal ideológico trocado.

Estão errados novamente. O PT busca uma hegemonia completa na mídia. O PT quer a imprensa como seu porta voz, basta observar todas as tentativas de cercear a liberdade de imprensa que eles vem tentando implementar desde a primeira eleição do Lula. A Gazeta do Povo compara atitudes concretas ativas, ou seja, não são nem nunca foram reação a “fake news”, com um discurso de indignação de um candidato que é obviamente vitima da maior campanha de assassinato de reputação jamais vista no país.

O resto da argumentação exposta no referido editorial só faz sentido em um contexto onde a mídia não está comprometida ideologicamente, (e quem sabe financeiramente), com um esquema de poder totalitário que destruiria a própria liberdade de imprensa e de expressão que essa mesma mídia diz defender.

Ao escrever esse editorial a Gazeta do Povo demonstra não ter compreendido ainda os riscos que o país enfrenta.

E antes que eu me esqueça, liberdade de imprensa e de expressão não é dizer tudo o que se quer sem ser criticado ou sem prestar contas a ninguém. A mídia não é infalível, não é incorruptível, não é inquestionável e não é perfeita. O direito que os veículos de mídia têm de se expressar é proporcional ao direito que qualquer cidadão, seja ele político ou não, tem de expressar seu descontentamento com o que é publicado. A grande mídia não é detentora da verdade inquestionável de todas as coisas.

A grande mídia é muito boa em criticar, mas precisa aprender a ouvir críticas também. Se os jornalistas fizessem bem o seu trabalho de vigiar, criticar, investigar e noticiar, talvez não estaríamos passando por tudo isso. E isso vale não só para os jornalistas da Folha de São Paulo, mas para todos os jornalistas, que deveriam estar em constante contato com a realidade e com o povo e não apenas consigo próprios. Deveriam ser mais comprometidos com a busca sincera pela verdade do que com o próprio umbigo. Desse modo não estariam passando vergonha, perdendo credibilidade e confundindo alhos com bugalhos.

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