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Tuesday, December 7, 2021

Sara Winter e a “Alta Cultura”

Por: Hilton Boenos Aires

A Sara Winter, sim, a militante dos 300 de Brasília, agora quer dar aulas sobre “Os Clássicos e Belas Artes”, mas comete uma série de erros ortográficos em um texto que não tem 160 palavras. Não farei menção ao estilo, que passeia pelo chulo e o cômico.

Após uma rápida passada de olhos pelo perfil da moça, vemos mais do mesmo. A estrutura, o formato das postagens, tudo vem do ínclito padrão de sucesso ensinado pelos gurus do marketing digital.

Eu não encontro mais palavras nem expressões apropriadas para explicar a loucura que se tornou esse meio digital. Vejam bem, o Leandro Karnal, sem querer, definiu acuradamente a coisa: “Direita delirante”.

Delírio, do latim, “lira” (que significa sulco – do arado). Logo, de-liro, surge como aquilo que está fora do sulco, fora do caminho reto da razão.

Tudo isto que vemos é um delírio. É um delírio jovem vendendo curso de imersão sobre Maturidade e relacionamentos. É um delírio blogueiro vigarista fazendo clube de leitura, professor de português autodidata (que nunca pisou numa repartição pública, num Fórum) ensinando advogados a escrita de peças jurídicas. É um delírio nutricionista ensinando a estudar filosofia.

É um delírio ver pessoas feito ela, notadamente comprometidas com agendas políticas, enveredando pelo caminho da alta cultura. Aliás, que raios de alta cultura é esta? Sara (e esses palpiteiros) domina latim, grego, italiano, alemão, francês, espanhol e inglês?

Todos agora são críticos de artes, historiadores da filosofia, filólogos e poetas. Sara estudou a Paideia, todo o teatro ateniense e a poesia grega; dedicou sua vida toda à leitura da renascença, do barroco, do clássico, do romantismo; Sara entende de música, iconografia e Artes liberais como um todo. Quero ver a Sara, que há pouco tempo fazia acampamento em Brasília e era presa por perturbação à ordem pública, ensinando a metrificação do hexâmetro homérico. Quero vê-la explicando a simbologia da descida ao submundo, na cosmovisão grega e romana. Quero vê-la falando a respeito das substâncias separadas em Aristóteles. Quero vê-la discorrer sobre a tradição iconográfica da Fortuna. Quero vê-la escrever um texto sem usar jargões estúpidos nem cometer erros de ortografia, regência verbal e nominal.

É melhor entrar na UFBA e ter aula com um professor ultraresquerdista, tradutor de Sófocles e Aristófanes, que assinar um “Clube de Alta cultura”. É para “cair o orifício das bandas dos glúteos”!

Tudo que se massifica, cai na vulgaridade. Se é esse gente que vai salvar a Alta cultura Ocidental, estamos fodidos. Continuarei meus estudos de árabe para começar a rezar virado para a Meca.

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